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Prevenção da Dirofilariose - Dúvidas e Produtos Disponíveis 




Existe alguma controvérsia acerca da melhor forma de evitar que o seu cão apanhe dirofilariose nas zonas de risco de Portugal. Conheça os produtos que existem no mercado e faça uma opção consciente.
A não ser que o seu cão seja ainda cachorro, só deve iniciar a prevenção se tiver a certeza que o seu cão não tem dirofilariose. Desse modo deverá visitar o médico veterinário assistente e pedir para fazer o despiste, que se faz tirando uma gota de sangue ao animal e fazendo um teste rápido que detecta os antigénios (moléculas específicas) das filárias adultas.


Existe alguma controvérsia acerca da melhor forma de evitar que o seu cão apanhe dirofilariose nas zonas de risco de Portugal. Conheça os produtos que existem no mercado e faça uma opção consciente. A não ser que o seu cão seja ainda cachorro, só deve iniciar a prevenção se tiver a certeza que o seu cão não tem dirofilariose. Desse modo deverá visitar o médico veterinário assistente e pedir para fazer o despiste, que se faz tirando uma gota de sangue ao animal e fazendo um teste rápido que detecta os antigénios (moléculas específicas) das filárias adultas.


Só depois de ter a certeza que o seu animal não tem dirofilariose é que pode começar a prevenção. Porém, se acontecer que o seu cão tenha dirofilariose e lhe comece a administrar os fármacos preventivos, o risco de complicações médicas é baixo (embora se conheçam casos de reacções fatais), porém não existe nenhuma vantagem para o cão em fazer a prevenção, acabando o dono por gastar dinheiro em fazer uma prevenção absoltamente desnecessária. São vários os produtos no mercado que pode utilizar, e a principal razão de escolha costuma ser a monetária (uma vez que dependendo do peso do cão e do preço do fornecedor, alguns produtos podem sair mais baratos do que outros). Informe-se dos preços mas também das vantagens e desvantagens de cada produto.


 
1) Ivermectina (Heartgard): A ivermectina é efectiva contra larvas L3 e L4 e tem algum efeito contra larvas L5. O composto é administrado por via oral em pastilhas altamente palatáveis. A formulação com pirantel (Heartgard Plus) tem efeito contra os parasitas intestinais (mas não dispensa a associação com um tenicida).
2) Milbemicina (Interceptor, Milbemax, Program plus): Existe formulações em comprimidos, associados ou não com outros produtos anti-pulgas. É menos eficaz em eliminar as L3 e L4 e microfilarias. Tem só por si efeito de largo espectro contra os parasitas intestinais.
3) Selamectina (Revolution, Stronghold): Formulação em spot-on (pipeta). É um macrólido como a ivermectina. Também tem efeito relativamente a pulgas e parasitas intestinais.
4) Moxidectina (Advocate, Guardian): a forma injectável tem efeito para 6 meses sendo muito prática, mas muitos veterinários recusam a sua utilização porque foi recentemente retirada do mercado dos EUA devido a alguns episódios de reacções adversas fatais. Para além disso existem alguns efeitos colaterias comuns, como irritação no local da injecção, vómitos e apatia. Existe ainda a formulação em spot-on.


Serão preferíveis as formas orais aos spot-on?
Ambas as formas estão aprovadas para a prevenção da dirofilariose. Porém, a forma spot-on exige um cuidado especial para que a aplicação seja bem feita, bem como devem ser evitados banhos nos dias seguintes à aplicação.
Tendo um cão de raça Collie, que produto devo escolher?
É verdade que os cães de raça Collie são muito mais sensíveis à toxicidade por ivermectina, porém a dose utilizada na prevenção está longe de causar efeitos na raça. A dose utilizada para a prevenção é de 6ug/kg, enquanto que a dose a partir da qual começam a aparecer efeitos tóxicos é de 50ug/kg. Os relatos que existem de toxicidade estão relacionados com a administração de ivermectina no tratamento da dirofilariose, quando queremos eliminar as microfilarias depois de eliminar as adultas. Nesses casos a dose utilizada é mais alta que a dose preventiva, e como o produto é um injectável que apenas está registrado para ruminantes, é mais difícil garantir a dose correcta. Também existem muitos registos de animais intoxicados por ivermectina porque pessoas optam por esse tal produto para ruminantes para efectuar a prevenção, sem terem em conta a dose certa.
Posso partir os comprimidos ao meio por razões económicas?
As marcas que vendem os comprimidos aconselham qual a quantidade consoante o peso do animal. Nalguns casos existem comprimidos de diferentes quantidades de princípio activo, enquanto que noutros casos aconselha-se a administração de X comprimidos a um animal para que se atinja a dose protectora. Não existe grande vantagem económica em partir os comprimidos.
Relativamente aos comprimidos palatáveis é fortemente desaconselhável a utilização de metades, uma vez que o princípio activo não está uniformemente distribuído pela pastilha, correndo-se o risco de dar uma dose ineficaz na protecção da dirofilariose.
O meu cão vomitou. Devo voltar a dar o comprimido?
Se existe uma forte probabilidade do seu cão ter vomitado o comprimido, deverá administrar outro assim que ele estiver mais bem disposto. De qualquer forma, mesmo que tenha digerido o comprimido, não há nenhum problema em ter uma dose dupla. Caso o seu animal continue a vomitar, deverá ter assistência de um médico veterinário.
Posso parar a prevenção no Inverno?
Em zonas em que a temperatura média não ultrapassa os 13.8ºC as larvas não se conseguem desenvolver, de modo que não é necessário efectuar a prevenção. No Inverno de Portugal, as máximas de temperatura não são assim tão baixas como isso (tirando nas regiões mais altas do país), de modo que é muito mais seguro fazer a prevenção durante todo ano nas zonas em que a doença é muito frequente, especialmente porque não existem estudos feitos cá sobre este assunto. Por outro lado é mais fácil para as pessoas em geral fazerem sempre a mesma rotina do que interromperem o tratamento no Inverno e restabelecerem novamente na Primavera.
Posso fazer a prevenção de 2 em 2 meses?
Para responder a esta pergunta, é preciso ter em conta o ciclo de vida do parasita:
- O mosquito transmite a forma L3 (1mm) ao cão. Esta larva vai migrar por debaixo da pele em direcção aos músculos do animal. Durante esta migração, a larva transforma-se por duas vezes, de L3 para L4 e de L4 para L5. O tempo total de migração pelos tecidos vai de 67 a 80 dias. As formas L5 e algumas L4 têm capacidade de entrar na corrente sanguínea, instalando-se nas artérias pulmonares. Os gatos não têm tanta dirofilariose como os cães, porque as formas L5 têm muita dificuldade em entrar na circulação sanguínea. A forma L5 é considerada como uma forma adulta imatura. Resumindo:
- Muda de L3 para L4: acontece 2 a 12 dias após a picada do mosquito
- Muda de L4 para L5: acontece 50 a 70 dias após a picada do mosquito
- transformação das L5 em adultas com capacidade de produzir microfilarias: 3 meses.
- L5 adultas: sobrevivem de 5 a 7 anos de idade.
A maioria dos preventivos elimina as larvas dos estádios L3 a L4, que em condições óptimas nunca se conseguem passar para L5 mais depressa do que 2 meses. Sabendo deste aspecto muitas pessoas optam por administrar o preventivo apenas uma vez de 2 em 2 meses. Porém, este procedimento é fortemente desaconselhado pelos fabricantes dos preventivos, que não podem garantir que o seu produto elimine a 100% as formas L3 e L4. Também é necessário ter em conta que as larvas podem ganhar resistência ao produto. Desse modo uma prevenção de 2 em 2 meses não tem tanta eficácia como uma prevenção mensal.
Sabendo que a ivermectina elimina lentamente as larvas adultas, porque não posso dar antes o preventivo em vez de fazer o tratamento?
Não está documentado que tal seja verdade, se bem que alguns veterinários afirmam que administrando ivermectina como preventivo durante dois anos, lentamente vão morrendo os adultos instalados no coração. Porém, ao longo desse tempo, os efeitos da doença nos pulmões e coração vão se notando, podendo colocar em risco a vida do animal. Por isso, uma vez diagnosticada a doença deve ser tratada com a maior brevidade possível. Este tipo de abordagem só está indicada em casos que existe uma alta probabilidade que o animal morra entretanto de outra doença (cancro, etc) ou quando não existe mesmo nenhuma possibilidade monetária para efectuar o tratamento.
O que faço se me esquecer de administrar o medicamento preventivo da dirofilariose?
Se se esquecer de administrar o medicamento preventivo e se o seu animal viver numa zona de risco, terá de pensar que existe uma probabilidade de ter sido contaminado. Quanto maior o tempo de esquecimento, maior a probabilidade de contaminação. Nessas situações deverá retomar a prevenção imediatamente e mensalmente. Para saber se o seu animal teve o azar de ser contaminado na altura em que esteve desprotegido, deverá efectuar um despiste no seu médico veterinário. O despiste só tem validade quando feito 6 meses após a data de exposição, uma vez que é baseado na detecção das moléculas das microfilárias adultas.
Devo começar a prevenção com que idade?
Em zonas de risco deve começar a prevenção o mais cedo possível, ou seja, assim que o animal tenha idade para tomar este tipo de medicamentos (2 meses de idade).
Porque não utilizar antes coleiras e pipetas repelentes de mosquitos para a prevenção da dirofilariose?
Esses produtos (coleiras, permetrinas, etc) têm apenas efeito repelente, enquanto que os medicamentos preventivos aqui falados eliminam efectivamente as larvas que tenham entrado no organismo do animal. O efeito repelente não é de modo nenhum suficiente para uma prevenção eficaz. Porém, em zonas de risco muito elevado, deverá associar os repelentes aos medicamentos preventivos para ter um efeito máximo de protecção.
Posso confiar no produto preventivo para prevenir que o meu cão tenha dirofilariose?
Os produtos para a prevenção da dirofilariose são muito eficazes quando administrados de maneira correcta, ou seja, mensalmente e de acordo com o peso do animal em questão. Porém, existem algumas falhas, especialmente se se utilizar o mesmo principio activo durante muito tempo (as larvas adquirem resistência). Em zonas de risco muito elevado e em casos de animais de exterior é aconselhável efectuar despistes anuais. Como os preventivos eliminam as microfilárias do sangue, o despiste tem de ser feito com recurso ao teste rápido que detecta moléculas das dirofilárias adultas (dispendioso). Caso se esqueça muitas vezes de dar o preventivo ao animal, então será mesmo aconselhável fazer esse despiste.


Ana Paula Ribeiro, MV

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